Kratos em God of War Ragnarök: A Jornada Final do Fantasma de Esparta
Poucos personagens nos videogames passaram por uma transformação tão profunda e marcante quanto Kratos, protagonista da série God of War. Em God of War Ragnarök, lançado em 2022, essa evolução atinge seu ponto mais complexo e emocional. O jogo não é apenas a continuação da história de Kratos e Atreus — é o capítulo que redefine quem Kratos é, quem ele tenta ser e quem o mundo diz que ele precisa ser.
Este artigo mergulha na construção do personagem em Ragnarök, sua psicologia, narrativa, conflitos e legado.
Deus, monstro, pai: quem é Kratos em Ragnarök?
No início da saga nórdica (2018), Kratos já era um homem tentando começar de novo. Em Ragnarök, ele é alguém que teme repetir seu passado — teme ser novamente o monstro que a mitologia grega forçou que ele se tornasse.
Mas dessa vez, ele tem um motivo para lutar diferente:
a proteção e o futuro de Atreus.
Kratos em Ragnarök é um homem dividido em três versões de si mesmo:
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O guerreiro lendário
Aquele que derrotou deuses e titãs, cuja força e violência moldaram sua história. -
O pai que tenta educar e orientar Atreus
Um papel para o qual ele nunca foi preparado, mas que se tornou seu maior propósito. -
O homem que busca redenção
Não mais pela morte, mas pela vida que tenta construir.
Esse conflito interno é o coração emocional do jogo.
Kratos e Atreus: o laço que sustenta toda a narrativa
A relação entre pai e filho continua sendo o pilar da história. Em Ragnarök, a dinâmica muda:
Atreus cresce, questiona, busca respostas e desafia Kratos. Ele não é mais uma criança — e isso exige do pai novos tipos de força.
Kratos, por outro lado, teme perder o filho, teme o destino e teme a guerra. Mas também teme algo muito humano: não ser suficiente.
A jornada deles explora:
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confiança
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autonomia
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culpa
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proteção versus liberdade
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o peso das expectativas
É uma relação marcada por amor, conflitos e decisões difíceis — e se torna uma das duplas mais bem desenvolvidas dos videogames modernos.
A profecia que assombra Kratos
A mitologia nórdica coloca Kratos dentro de uma teia de profecias, especialmente aquelas relacionadas:
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ao Ragnarök
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ao papel de Atreus como Loki
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ao possível fim de Kratos
O personagem luta contra a ideia de destino.
A frase que se torna icônica é:
“Profecias não nos definem.”
Kratos rejeita a passividade e decide criar um futuro próprio — mesmo que isso o coloque em confronto com deuses, gigantes e até com o próprio Atreus.
Velho, cansado, mas ainda invencível: a luta física e emocional
Kratos em Ragnarök é mais velho, mais pesado, mais lento. Mas é também mais sábio.
Esse contraste cria um dos aspectos mais marcantes do jogo:
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Ele ainda é o guerreiro mais poderoso do universo
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Mas emocionalmente está vulnerável como nunca esteve
Nas batalhas, seu corpo conversa com o jogador sobre passado e experiência:
ele luta com precisão, com brutalidade contida e com menos sangue-frio impulsivo.
Mas, nas cenas narrativas, vemos um homem cansado do ciclo de violência, tentando ser algo diferente.
Essa dualidade faz de Kratos um personagem muito mais humano.
A relação com outros personagens
Kratos interage de forma muito mais aberta — mesmo que com hesitação — com vários coadjuvantes:
🛠 Brok e Sindri
Os ferreiros trazem leveza à narrativa, e Kratos demonstra respeito e até afeto velado por eles.
🧝 Freya
Após o conflito do jogo anterior, a relação passa por fases de dor, ódio, perdão e cumplicidade inesperada.
É uma das relações mais maduras da trama.
🧙 Mimir
O “homem mais esperto do mundo” é um conselheiro e amigo próximo.
Kratos escuta Mimir — o que diz muito sobre sua evolução.
O crescimento emocional de Kratos
Em Ragnarök, Kratos:
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chora
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reconhece erros
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admite seus medos
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elogia o filho
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pede desculpas
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busca paz
Esse é o mesmo personagem que, na Grécia, destruía deuses sem hesitar.
Agora, ele tenta evitar a guerra.
Essa evolução é uma aula de construção narrativa:
não há redenção sem admitir o passado, e Kratos finalmente encara quem ele foi — e quem ele deseja ser.
Seu destino final: a maior virada do personagem
Sem dar spoilers diretos (caso seus leitores ainda não tenham terminado o jogo), a mensagem é clara:
Kratos descobre que sua história não precisa terminar em dor.
Pela primeira vez, alguém mostra a ele uma visão de futuro onde ele é visto não como destruição, mas como esperança.
Essa revelação muda tudo.
Pela primeira vez…
Kratos permite-se sonhar.
Kratos: um legado que ultrapassa gerações
Kratos é um dos personagens mais importantes dos videogames modernos porque representa algo raro:
A evolução verdadeira ao longo de décadas.
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De anti-herói brutal
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A um pai relutante
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A um símbolo de superação
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A um homem que encontra propósito
Ele não é perfeito, nunca será — e é exatamente isso que o torna tão humano, tão memorável e tão inspirador.
Conclusão: por que Kratos de Ragnarök se tornou definitivo
God of War Ragnarök consolida Kratos como um dos personagens mais bem construídos da mídia moderna.
A mistura de força física e fragilidade emocional cria um protagonista multilayer, profundo e inesquecível.
No fim da jornada, Kratos prova que:
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ninguém está preso ao próprio passado
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o futuro pode ser reescrito
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e até um deus da guerra pode aprender a viver, não apenas sobreviver
E é por isso que sua história em Ragnarök é tão impactante — não apenas como jogo, mas como narrativa humana.

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